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Minha experiência com o retiro de meditação no RJ

Estou vivendo pela segunda vez nessa vida, tenho certeza. Final de janeiro de 2016 fui para o Rio de Janeiro para fazer um curso

de meditação. Era tempo chuvoso em meio à Mata Atlântica, e algum carro havia atolado na rua em que passaríamos para chegar ao retiro de meditação. Havia um carro parado à nossa esquerda na rua em que passávamos que resolveu nos avisar desse fato, e então ficamos parados enquanto escutávamos a orientação do pessoal desse carro. Terminamos de ouvir e talvez por um sopro do universo o meu ex namorado resolveu estacionar o carro atrás desse carro que também não conseguia passar pela rua, e NO EXATO INSTANTE em que ele deu uma (micro) ré, caiu exatamente na nossa frente o maior pedaço de rocha que eu ja tinha visto, do tamanho praticamente do carro, que nos mataria (a mim seria mais certo ainda, ja que ela caiu mais do lado do passageiro, e era eu quem estava la), e se não nos matasse, certamente deixaria umas boas sequelas, um pescoço quebrado no mínimo. (Vou colocar a foto dela aqui embaixo). Saí do carro trêmula. Essa viagem já começava com uma energia assustadoramente intensa.

O retiro de meditação estava instalado no município de Miguel Pereira, no RJ, onde há alguns anos se pratica um tipo de meditação que tem chamado a atenção em vários países por seus efeitos revolucionários no processo da mente e na busca do autoconhecimento, a Vipassana, conforme a tradição ensinada pelo birmanês radicado na Índia S. N. Goenka. O curso consistia de 12 horas de meditação diária, a partir das 04:30 da manhã, durante 10 dias seguidos, com silêncio total, sem comunição até entre os participantes (nem mesmo os que dormiam no mesmo quarto, por nenhum momento, por nenhum motivo), sem acesso a nenhum tipo de telefone, nem celular, nem televisão, sem notícia de nenhum parente, com separação entre homens e mulheres, com alimentação vegetariana moderada, sem poder matar nenhum inseto ou animal (nem barata, NENHUM inseto que seja) para não alterar a energia do ambiente.

As regras pareciam malucas, mas ainda assim eu estava disposta a experimentar, porque sabia que cada coisa ali tinha uma explicação que no momento eu não tinha maturidade pra entender. E a verdade é que tinham mesmo (passado um tempo isso ficou claro pra mim quando notei a pessoa que me tornei).

A grande sacada de tudo é quando você entende a BASE de tudo: meditar nada mais é do que você calar a boca da sua mente, literalmente, e entender que a vida tem uma complexidade tão maior do que podemos compreender que nada justifica nosso julgamento a alguém, já que somos todos um só no universo, que compomos o todo, eu, você, as mulheres, os homens, os pretos, os brancos, os mulatos, os gays, todos convivendo e passando pelos obstáculos mais diversos pra tentar evoluir nessa vida.

Depois de sofrer uma overdose de concentração naquele lugar, entendi que quando calamos a boca da mente, só nos resta nos sentir interiorizados no exato lugar e momento em que a gente estiver, sentado, ouvindo a própria respiração e sentindo o coração bater de um jeito que chegou a me causar medo: senti naquele exato momento, que se meu coração parasse naquele milésimo de segundo, nada daquilo, nada ao meu redor existiria mais. E é engraçado dizer isso porque parece óbvio demais, ja que todo mundo sabe que tem um coração e que se ele parar automaticamente morreremos. Mas a questão é que todo mundo SABE, mas nem todo mundo SENTE.

O que senti naquele momento  foi MÁGICO, sem o menor exagero da minha parte, e eu comecei a entender a real definição de AMOR. Amor não é aquele que a gente sente pela nossa família, pelas pessoas que escolhemos sentir amor (e que mesmo assim faltamos com amor muitas vezes)… amor é olhar pra alguém que vive te magoando e sentir compaixão por essa pessoa por ela não sabe amar, e AMAR essa pessoa, e não enviar energia ruim a ela por compreender que quando algo é ruim é ruim pros dois lados, tanto ela fazendo quanto você fazendo. É entender que se alguém tem algum problema com você, na verdade não é com você, é com ela mesma.

No entanto, você só conseguirá saber isso se você também estiver bem consigo mesmo, porque senão não vai ser  nada mais do que uma batalha de sentimentos ruins, e seu sentimento ruim vai embaçar sua visão sobre aquela pessoa, pois você estará vendo pela ótica do preconceito.

Se eu fosse colocar todos os detalhes aqui o post ficaria imenso, e não que eu não goste de textão (amo, pra ser sincera), mas caso seja necessário volto a esse assunto numa próxima vez. Recomendo a todos que possam ir que vá nesse retiro. Vou deixar aqui o site onde vocês poderão encontrar maiores informações:

https://www.dhamma.org/pt-BR/schedules/schsanti

Ah, e você não tem que pagar nada pelo curso, nada mesmo, mas se puder contribuir com alguma doação no final do curso (qualquer que seja) poderá ajudá-los para que ajudem outras pessoas. Na verdade o que mantém la são as doações.

Abaixo o mapa de la:

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E abaixo a foto da pedra que quase nos matou. Ela caiu e se despedaçou em alguns pedaços menores (ela era tão pesada que 10 dias depois, no dia de irmos embora, ela ainda continuava la, atrapalhando a passagem dos carros… acredito que ninguém tinha conseguido retirá-la até aquele momento):

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#Misericórdia!

 

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Um comentário sobre “Minha experiência com o retiro de meditação no RJ

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